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Buscapé

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

"Fé e ciência não são contraditórias, e o homem só conseguirá ser completo conciliando as duas.”

Entrevista de Francis Collins


Francis Collins – The Scientist as Beliver 

A tensa relação entre ciência e religião tem se tornado particularmente combativa ultimamente. De um lado temos cientistas como Richard Dawkins e Steven Pinker queFrancis Collins vêem a religião como um resíduo de nossa superstição, um passado pré-científico que a humanidade deveria abandonar. Do outro lado temos religiosos que declaram que a ciência é moralmente niilista e inadequada para enteder os mistérios da existência. Nas brechas anda Francis Collins, que se oferece como prova de que a ciência e a religião podem ser reconciliadas. Como líder do Projeto Genoma Humano, Collins está entre os cientistas mais importantes do mundo, líder de um programa de pesquisa de muitos bilhões de dólares que estuda a natureza humana e cura de doenças. E, ainda, em seu best-seller “The Language of God” (A linguagem de Deus), ele relata como aceitou a Cristo como seu salvador em 1978 e como se tornou um cristão devoto desde então. “O Deus da Bíblia é também o Deus do genoma”, escreve Collins. “Ele pode ser adorado numa catedral ou em um laboratório”. Recentemente, Collins discutiu sua fé com um escritor científico John Horgan, que tem explorado os limites entre a ciência e a espiritualidade em seus livros “The End of Science” (O fim da ciência) e “Rational Mysticism” (Misticismo Racional). Horgan, que se descreve como “um agnóstico cada vez mais perturbado pela influência religiosa nas questões humanas”, dirige o Centro de Escritos Científicos no Instituto de Tecnologia Stevens, em Hoboken, Nova Jersey.
Entrevista por John Horgan
Horgan: Como um cientista que busca por uma explicação natural das coisas e exige evidências pode também acreditar em milagres como ressureição?
Collins: Não tenho problema com o conceito de que milagres ocorrem ocasionalmente em momentos de grande importância, onde há uma mensagem a nos ser transmitida pelo Deus Todo-Poderoso. Mas, como cientista, mantenho meus padrões de milagres bem altos.
Horgan: O problema que eu tenho com milagres não é somente que eles violam o que a ciência nos diz sobre como o mundo funciona. Eles também fazem Deus parecer bastante caprichoso. Por exemplo, muitas pessoas acreditam que se elas orarem o bastante, Deus irá interceder para curá-las ou curar alguém amado. Mas isso significa que aqueles que não melhoraram não foram dignos?
Collins: Em minha própria experiência como médico, não tenho visto milagres de cura, e não tenho a expectativa de ver algum. Além disso, pra mim a oração não é um meio de manipular Deus dizendo o que queremos que Ele faça. Oração pra mim é muito mais um sentido de tentar um relacionamento com Deus. (Na oração) estou tentando compreender o que eu deveria estar fazendo, ao invés de estar dizendo ao Deus Todo-Poderoso o que Ele deveria estar fazendo. Olhe a oração do Senhor Jesus. Ela diz “Seja feita sua vontade”. Não era “Nosso Pai que estás no céu, por favor arranje um espaço no estacionamento pra mim”.
Horgan: Devo admitir que me tormei mais preocupado ultimamente acerca dos efeitos prejudiciais da religião devido ao terrorismo religioso, como o 11 de setembro, e o crescimento do poder religioso de direita nos Estados Unidos.
Collins: Qual fé não tem sido usada por demagogos como um clube tirado da cabeça de alguém? Seja na Inquisição ou nas Cruzadas de um lado, ou do outro o World Trade Center? Mas não devemos julgar a pura verdade da fé pela maneira que eles a usam, mais do que podemos julgar a pura verdade do amor por um casamento abusivo. Nós, como crianças de Deus, recebemos o conhecimento do certo e do errado, esta é a Lei Moral, a qual eu vejo como um sinal particular da existência dEle. Mas, temos também isso que chamamos de livre arbítrio, o qual exercemos todo o tempo para quebrar a Lei. Não deveríamos culpar a fé pela a maneira que as pessoas a distorcem e abusam dela.
Horgan: Muitas pessoas sofrem na crença em Deus por causa do problema do mal. Se Deus nos ama, porque a vida é tão cheia de sofrimento?
Collins: Esta é a questão fundamental a ser enfrentada por todo aquele que busca a verdade. Antes de tudo, se a nossa meta é crescer, aprender e descobrir coisas acerca de nós mesmos e de Deus, então, infelizmente, uma vida de facilidades não será provavelmente o meio de conseguir isso. Eu sei que eu tenho aprendido muito pouco sobre mim ou Deus quando tudo está indo bem. De novo, uma porção de dor e sofrimento no mundo não podem ser depositadas nos pés de Deus. Ele nos deu o livre arbítrio, e nós podelhos escolher exercitá-lo de maneiras que acabam machucando outras pessoas.
Horgan: O físico Steven Weinberg, que é ateu, pergunta por quê seis milhões de judeus, incluindo seus parentes, tiveram que morrer no Holocausto, para que os nazistas pudecem exercer seu livre arbítrio.
Collins: Se Deus tivesse que intervir milagrosamente todas as vezes que um de nós faz algo maldozo seria um mundo bastante estranho, caótico e imprevisível. O livre arbítrio leva as pessoas a fazerem coisas horríveis umas com as outras. Como resultado, pessoas inocentes morrem. Você não pode culpar ninguém além dos malfeitores por isso. Assim, isso não é culpa de Deus. A questão mais difícil é quando o sofrimento não parece vir de uma ação humana. Uma criança com câncer, um desastre natural, um tornado ou tsunami. Por quê Deus não impede essas coisas de acontecerem?
Horgan: Alguns filósofos, como Charles Hartshorne, sugerem que talvez Deus não esteja completamente no controle de sua criação. A poetisa Annie Dillard expressa essa idéia em sua frase: “Deus, o semi-competente”.
Collins: Isto é reconfortante — e provavelmente blasfemo! Uma alternativa é a noção de Deus estando fora do universo e do tempo, tendo uma perspectiva de nossa existência onde pode ver longe em nosso passado e em nosso futuro, de algum modo admitidamente metafísico, de tal maneira que nem sempre o significado do sofrimento será evidente para mim. Pode haver razões que não conheço para coisas terríveis acontecerem.
Horgan: Sou agnóstico, e fiquei irritado quando, em seu livro, você chamou o agnosticismo de “modo de fugir do problema”. O agnosticismo não significa que você é preguiçoso ou não se importa. Significa que você não está satisfeito com as respostas para o que são ainda os maiores mistérios.
Collins: Esta foi uma palavra que não deveria ser aplicada ao agnóstico sério que tem considerado as evidências e ainda não achou uma resposta. Eu estava reagindo contra o agnosticismo que eu vejo na comunidade científica, a qual não tem chegado em um exame cuidadoso da evidência. Houve um tempo em que eu fui um agnóstico casual, e talvez tenha assumido rápido demais que os outros não foram mais fundo do que eu.
Horgan: Livre arbítrio é um conceito muito importante para mim, assim como para você. É a base para a nossa moralidade e busca por significado. Você não se preocupa com a ciência em geral e a genética em particular – e sendo você o líder do Projeto Genoma – minarem a crença no livre arbítrio?
Collins: Você está falando sobre determinismo genético, o qual implica que nós somos marionetes, sem qualquer ajuda, sendo controlados por cordas de dupla hélice. Isso é muito distante do que conhecemos cientificamente! Herança genética possui influência não somente nos riscos médicos, mas também sobre certos comportamentos e características de personalidade. Mas olhe para gêmeos idênticos, que têm exatamente o mesmo DNA mas que frequentemente comportam-se de modos diferentes ou pensam diferente. Eles mostram a importância do aprendizado e da experiência – e do livre arbítrio. Acho que todos nós, religiosos ou não, reconhecemos que o livre arbítrio é uma realidade. Existem alguns elementos extremos que dizem: “Não, isso tudo é uma ilusão, somos apenas peões em algum modelo computacional”. Mas não acho que você chega longe com essa idéia.
Horgan: O quê você pensa sobre as explicações darwinistas sobre o altruísmo, ou o que você chama de ágape, amor perfeito e compaixão por alguém não relacionado diretamente a você?
Collins: Isto tem sido um pouco como “é assim mesmo”. Alguns irão argumentar que o altruísmo têm sido suportado pela evolução porque ajuda o grupo a sobreviver. Porém, algumas pessoas se sacrificaram por aquelas que estão fora do seu grupo e com quem elas não tinham absolutamente nada em comum, como Madre Teresa, Oskar Schindler, e muitos outros. Isto é a humanidade na sua forma pura. Isso não aparenta ser explicável pelo modelo darwiniano, mas não sustento nisso a minha fé.
Horgan: Qual sua opinião sobre o campo da neuro-teologia, a qual tenta identificar as bases neurais para as experiências religiosas?
Collins: Eu acho fascinante, mas não particularmente supreendente. Nós, humanos, somos carne e osso. Assim, não seria um problema para mim – se eu no passado tivesse alguma experiência mística – descobrir que meu lobo temporal estava excitado. Isto não significa que essa experiência não tenha tido um significado espiritual genuíno. Aqueles que vêm isso crendo que não há nada além do mundo natural olharão para os dados e dirão: “Olha, viu?” Enquanto aqueles que crêem em criaturas espirituais dirão: “Legal! Há uma correlação natural para a experiência mística! O que acha disso?!”
Horgan: Alguns cientistas têm predito que a engenharia genética poderá nos dar uma inteligência sobrehumana e extender em muito a expectativa de vida, talvez até mesmo a imortalidade. Essas são consequências possíveis a longo prazo do Projeto Genoma Humano e outras linhas de pesquisa. Se essas coisas acontecerem, o que você pensa acerca das consequências na tradição religiosa?
Collins: Essas consequência seriam preocupantes para mim. Mas estamos muito longe dessa realidade para gastar tempo se preocupando, quando você considera todas as coisas realmente benéficas que podemos fazer em um curto prazo.
Horgan: Estou perguntando de verdade, a religião requer sofrimento? Poderíamos reduzir o sofrimento até o ponto que não precisaríamos de religião?
Collins: Apesar do fato de que temos alcançado avanços médicos fabulosos e feito o possível para viver mais e erradicar doenças, iremos, provavelmente, achar meios de discutir uns com os outros e algumas vezes de nos matarmos, fora de nossa sanidade e determinação de estarmos num nível acima. Assim, a taxa de morte continuará sendo uma por pessoa, qualquer que seja seu significado. Podemos entender bastante de biologia, podemos entender muito de prevenção de enfermidades, e podemos entender bastante de expectativa de vida. Mas não acho que compreenderemos como fazer os humanos pararem de fazer mal uns com os outros. Este será sempre a nossa mais dolorosa experiência aqui, e que nos fará desejar por algo mais.
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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Crianças pastoras? Quais as qualificações para um pastor?



Hoje à noite vai passar no canal National Geographic, um programa intitulado “Pregadores Mirins”. O programa vai contar a história de três diferentes crianças que “promovem uma guerra contra os pecadores”, de acordo com o próprio site da NetGeo.
Eu planejava escrever um texto sobre isso, mas como o Renato Vargens já escreveu um ótimo texto sobre o assunto, resolvi postar um link para o texto dele. Ele aborda a questão praticamente da mesma forma que eu abordaria.
Então, resolvi escrever sobre quais são as qualificações para um pastor, de acordo com a Bíblia. Será que uma criança teria as qualificações necessárias para assumir um púlpito? Será que qualquer adulto teria essas qualificações?
Antes de me lançar ao texto, só gostaria de dizer que qualquer um pode imitar os trejeitos de uma outra pessoa. Com um pouco de treino, qualquer um pode liderar um culto altamente “espiritual”. Até um não cristão pode muito bem fazer “chover fogo do céu” em um reunião evangélica. Como muitas dessas reuniões são balizadas não pela veracidade bíblica, mas por ideias pré-concebidas sobre o que é espiritual ou não, regada a muitos trejeitos, somar tudo isso a algo como uma mente coletiva (mal informada sobre a Bíblia) gera uma experiência facilmente copiável e manipulável. Portanto, não devemos nos surpreender que uma criança possa imitar os trejeitos de um pastor carismático. Ou que um ateu o possa fazê-lo. Por isso que Paulo disse “apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Romanos 12:1). Um culto baseado em trejeitos dificilmente seria chamado de racional.

Quais são as qualificações para um pastor?
Os textos que nos explicam quais as qualificações necessárias para ser um pastor se encontram nos livros de 1 Timóteo, capítulo 3 e em Tito 1, ambos escritos por Paulo. Vamos primeiro ver o texto de 1 Timóteo 3:1-7:
“Esta afirmação é digna de confiança: se alguém deseja ser bispo, deseja uma nobre função.É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, respeitável, hospitaleiro e apto para ensinar; não deve ser apegado ao vinho, nem violento, mas sim amável, pacífico e não apegado ao dinheiro.Ele deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a dignidade.Pois, se alguém não sabe governar sua própria família, como poderá cuidar da igreja de Deus?Não pode ser recém-convertido, para que não se ensoberbeça e caia na mesma condenação em que caiu o diabo.Também deve ter boa reputação perante os de fora, para que não caia em descrédito nem na cilada do diabo.”
O texto de Tito 1:6-9 diz assim:
“É preciso que o presbítero seja irrepreensível, marido de uma só mulher, e tenha filhos crentes que não sejam acusados de libertinagem ou de insubmissão.Por ser encarregado da obra de Deus, é necessário que o bispo seja irrepreensível: não orgulhoso, não briguento, não apegado ao vinho, não violento, nem ávido por lucro desonesto.É preciso, porém, que ele seja hospitaleiro, amigo do bem, sensato, justo, consagrado, tenha domínio próprio.”
De ambos os textos, podemos ver que não é qualquer um que possui as qualificações para o pastorado.

É necessário que aquele que aspira ao cargo de pastor, seja:
  • Irrepreensível, de boa reputação;
  • Casado com apenas uma mulher (poligamia era muito comum naquele tempo e como é uma prática contrária a vontade de Deus no casamento, um homem casado com mais de uma esposa não poderia ser pastor).
  • Sóbrio;
  • Prudente;
  • Respeitável;
  • Hospitaleiro;
  • Pronto para ensinar;
  • Não seja dado à bebida;
  • Não seja violento;
  • Não seja ganancioso (muitos pastores da teologia da prosperidade podem ser desqualificados apenas com esse item);
  • Deve ser amável e pacífico;
  • Saber governar a família
  • Justo;
  • Ter domínio próprio;
  • Não deve ser recém-convertido
  • Humilde.

Nem todas as pessoas possuem essas qualificações. Uma criança tão pouco as teria.
Além dessas qualificações, existe uma recomendação dada aos pastores que eles fariam muito bem em seguir. Recomendação essas que crianças não podem seguir e que muitos adultos torcem o nariz para a simples ideia de agir como Paulo recomenda em 2 Timóteo 3:14 até 4:2:
“Quanto a você, porém, permaneça nas coisas que aprendeu e das quais tem convicção, pois você sabe de quem o aprendeu.Porque desde criança você conhece as sagradas letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus.Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.Na presença de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos por sua manifestação e por seu Reino, eu o exorto solenemente:Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina.”
Não acredite em qualquer um que diz que é pastor. Se a pessoa não possui as qualificações para o pastorado, pouco importa se ela se auto-intitula como tal ou é assim chamado por outros. O que faz um pastor não são os seus trejeitos, a intensidade ou o sentimento que a mensagem que ele traz causa em nossos corações. Eu já estive em palestras motivacionais que mexeram mais com meus sentimentos do que muitos cultos evangélicos. A diferença está nas qualidades que um ministro possui e em seu empenho de fazer um bom trabalho na pregação fiel da Palavra de Deus, conforme nos foi ensinado pelos apóstolos.
Ver adultos sem escrúpulos e sem conhecimento manipulando crianças para que parecem cheias do Espírito é uma tristeza sem tamanho. Mas enquanto houver um mercado consumidor para esse tipo de produto desprezível, estaremos sujeitos a ver essas notícias na televisão, tornando cada dia mais difícil se identificar como evangélico.
http://mauevivian.blogspot.com/

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Ateísmo - uma visão por demais simplista - C.S. Lewis


Pediram-me para dizer em que os cristãos crêem, mas vou começar com uma coisa na qual não precisam crer. Se você é um cristão, você não precisa crer que tudo nas demais religiões é simplesmente errado. Se você é ateu, então sim, você tem de crer que o ponto central de todas as religiões do mundo não passa de um enorme engano. Se você é um cristão, você é livre para pensar que todas as demais religiões, mesmo as mais excêntricas, contêm ao menos alguma alusão à verdade. Quando eu era ateu, tinha que procurar persuadir-me de que a maior parte da humanidade sempre se enganou no ponto mais importante; quando me tornei cristão, pude ver as coisas mais liberalmente. Contudo, o cristão tem de admitir que, nos pontos em que o Cristianismo diverge de outras religiões, ele é verdadeiro, e as outras religiões são falsas. É como em aritmética: há somente uma resposta certa para uma soma, e as outras estão erradas; mas algumas das respostas erradas estão muito mais próximas da certa do que outras.

A primeira grande divisão da humanidade é entre a maioria que crê em algum tipo de Deus, ou deuses, e a minoria que não crê. Neste particular o Cristianismo põe-se do lado da maioria; põe-se do lado dos antigos gregos e romanos, dos selvagens modernos, dos estóicos, platônicos, hindus, maometanos etc, contra os modernos materialistas ocidentais europeus.

Vejamos agora a segunda grande divisão. Todos os que crêem em Deus podem ser divididos segundo a espécie de Deus em que crêem. Há duas idéias bem diferentes neste ponto. Uma delas é a de que Deus está além do bem e do mal, e que nós, os homens, é que chamamos algumas coisas de boas e outras de más. Mas, segundo essas pessoas, isso é apenas o nosso ponto de vista humano. Dizem essas mesmas pessoas que, quanto mais sábios nos tornamos, menos inclinados ficamos a denominar as coisas como boas ou más, e vemos mais claramente que as coisas são boas num sentido e más em outro, e que nada poderia ter sido diferente. Assim essas pessoas julgam que, bem antes que nos aproximássemos do ponto de vista de Deus, esta distinção entre o que é bom e o que é mal teria desaparecido. Dizemos que um câncer é mau porque mata um homem; mas poderíamos também dizer que um ótimo cirurgião é mau porque mata um câncer. Tudo depende do ponto de vista. A outra idéia oposta é a de que Deus é definitivamente "bom" ou "justo". É um Deus que toma partido, que ama o que é amável e odeia o que é odioso, que quer que procedamos de um certo modo e não de outro. A primeira destas correntes, a que julga que Deus está além do bem e do mal, chama-se panteísmo. Foi defendida pelo grande filósofo prussiano Hegel e, pelo que sei, também pelos hindus. A outra corrente é defendida pelos judeus, maometanos e cristãos.

Esta grande diferença entre o panteísmo e a idéia cristã de Deus vem geralmente acompanhada de uma outra diferença. Os panteístas crêem que Deus, por assim dizer, impulsiona o universo como nós impulsionamos nossos  corpos; que o universo quase é Deus, de modo que, se o universo não existisse,  Ele também não existiria; e tudo o que     encontramos no universo é parte de Deus. O conceito cristão é completamente diferente. Os cristãos crêem quê Deus inventou e fabricou o universo, como um homem que faz um quadro ou compõe uma canção. Um pintor não é a pintura, e não morre se a sua pintura é destruída. Podemos dizer: "Ele colocou muito de si no quadro", mas isto quer dizer que toda a beleza e o interesse provêm da cabeça do artista. A habilidade do pintor não está na pintura da mesma maneira que está na cabeça ou mesmo nas mãos dele. Espero que você perceba como esta diferença entre panteístas e cristãos é paralela àquela outra diferença. Se não levamos muito a sério a distinção entre o bem e o mal, então é fácil afirmar que tudo o que encontramos neste mundo é uma parte de Deus .Mas se achamos que algumas coisas são realmente más, e que Deus é realmente bom, então não podemos falar desse modo. Você tem de crer que Deus está separado do mundo e que algumas coisas que vemos por aí são contrárias à vontade de Deus. Diante do câncer ou de uma favela, o panteísta pode dizer: "Se ao menos você pudesse ver isso do ponto de vista divino, compreenderia que isso também é Deus". O cristão replica: "Não diga esta maldita tolice!" Porque o Cristianismo é uma religião combativa. Ensina que Deus fez o mundo, o espaço e o tempo, o calor e o frio, as cores e os sabores, os animais e os vegetais, tudo são coisas que Deus "tirou da sua cabeça"; é como alguém que tenha inventado uma história. Mas o cristão acha também que muitas e muitas coisas foram corrompidas no mundo que Deus fez, e que Deus insiste vigorosamente em que as restituamos ao que devem ser.


Isso naturalmente suscita uma grande pergunta. Se o mundo foi feito por um Deus que é bom, por que o mundo se perverteu? E por muitos anos eu simplesmente me recusei a dar ouvidos à resposta que o Cristianismo dá a esta questão, porque me mantive na minha opinião de que "qualquer coisa que me digam e por mais inteligente que seus argumentos sejam, não é muito mais simples e mais fácil dizer que o mundo não foi feito por um poder inteligente? Não são todos esses argumentos simplesmente uma complicada tentativa para contornar o que é óbvio?" Mas isso acabou por me levar a uma outra dificuldade.

O meu argumento contra Deus era de que o universo parece ser muito cruel e injusto. Mas de onde tirei esta idéia de justo e injusto? Ninguém diz que uma linha é torta se não tiver uma idéia do que seja a linha reta. Com o que eu comparava este universo quando o chamava de injusto? Se todo o panorama fosse mau e absurdo de A a Z, por que eu, que sou necessariamente parte do panorama, reagi violentamente contra ele? Nós nos sentimos molhados, se cairmos na água, porque não somos animais aquáticos: um peixe não se sente molhado. Eu poderia, naturalmente, desfazer-me da minha idéia de justiça dizendo que não era nada mais do que uma idéia pessoal minha. Mas se o fizesse, então o meu argumento contra Deus também se desfaria, pois o argumento dependia da afirmação de que o mundo é realmente injusto e não simplesmente de que não agrada às minhas idéias pessoais. Assim é que ao mesmo tempo em que tentava provar que Deus não existe (em outras palavras, que a realidade é totalmente absurda) verificava que era obrigado a admitir que uma parte da realidade, a minha idéia de justiça, não era absurda e tinha muito sentido. O ateísmo, conseqüentemente, é uma coisa por demais simplista. Se todo o universo não tem sentido, nunca descobriríamos que ele não tem sentido, do mesmo modo que, se não houvesse luz no universo, nem, conseqüentemente, criaturas com olhos, nunca saberíamos que era escuro. A palavra escuro seria uma palavra sem sentido.

Os homens não escolhem naturalmente a Cristo


“Não fostes vós que me escolhestes a mim”. Isto era verdade a respeito dos apóstolos; também é verdade a respeito de todos os que crerão em Jesus, até o final do mundo. “Não fostes vós que me escolhestes a mim.” O ouvido natural é tão surdo, que não pode ouvir; os olhos naturais, tão cegos, que não podem ver a Cristo. Em certo sentido, é verdade que todo verdadeiro discípulo escolhe a Cristo; mas isto acontece somente quando Deus abre os olhos da pessoa, para que ela veja a Jesus; quando Deus outorga vigor ao braço ressequido, para que ele abrace a Cristo.
O significado das palavras de Jesus era: “Vocês nunca me teriam escolhido, se eu não os tivesse escolhido”. É verdade que, quando Deus abre o coração do pecador, este escolhe a Cristo e a ninguém mais, somente a Cristo. É verdade que um coração vivificado pelo Espírito sempre escolhe a Cristo, a ninguém mais, somente a Cristo, e por Ele renunciará o mundo inteiro.
Irmãos, este versículo nos ensina que todo pecador despertado se mostra disposto a seguir a Cristo, mas não antes de ser tornado disposto. Aqueles que dentre vocês foram despertados, não escolheram a Cristo. Se um médico viesse à sua casa e dissesse que viera para curá-lo de sua enfermidade, e se você sentisse que não estava doente, diria ao médico: “Não preciso de você; procure o vizinho”. Esta é a maneira como você age para com o Senhor Jesus: Ele lhe oferece a cura, mas você Lhe diz que não está enfermo; Ele se oferece para cobrir, com a obediência dEle mesmo, a nudez de sua alma, mas você responde: “Não preciso dessa roupa”.
Outra razão por que você não escolhe a Cristo é esta: você não vê qualquer beleza nEle. “E como raiz de uma terra seca; não tinha aparência nem formosura” (Is 53.2). Você não vê qualquer beleza na pessoa de Cristo, nenhuma beleza na obediência dEle, nenhuma glória na sua cruz. Você não O vê e, por isso, não O escolhe.
Outra razão por que você não escolhe a Cristo é esta: não quer que Ele o torne santo. “Lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21). Mas você ama o pecado, ama os seus prazeres. Por isso, quando o Filho de Deus se aproxima e lhe diz: “Eu o salvarei dos seus pecados”, você responde: “Amo o pecado, amo os meus prazeres”. Por conseguinte, você nunca pode chegar a um acordo com o Senhor Jesus. “Não fostes vós que me escolhestes a mim.” Embora eu tenha morrido em favor de vocês, não me escolheram. Tenho lhes falado por muitos anos, mas, apesar disso, vocês não me escolheram. Tenho lhes dado a Bíblia, para instruí-los, e ainda assim vocês não me escolheram. Irmão, esta acusação lhe sobrevirá no Dia do Juízo: “Eu o teria vestido com a minha obediência, mas você não o quis”. 
R. M. M’Cheyne (1813-1843) 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Bons amigos - Machado de Assis

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.

Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.

Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.

Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.

Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,

Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

E não vos conformeis com este mundo...

 O que o São João tem a ver com Cristo? Infelismente, as comunidades evangélica (não as cristãs, as evangélicas) promovem os Arraiá de Cristo, os Fest João e até os Sem João com Cristo mas vc só sabe que é Sem João por causa do anúncio pois, a decoração, os trages, o rítimo e as comidas são as mesmas, tem até fogueira! Isto é uma espécie de compensação, uma triste estratégia pra segurar a juventude... Verdadeiros cristãos não precisam disto amados!
As origens desta festa é pagã e não tem nada de Cristo!

Aina falta o entendimento renovado para transformar este mundo

As festas juninas ou joaninas, como inicialmente eram chamadas, tiveram origem antes da Idade Média, como festas pagãs e só foi absorvida como cristã, pela igreja católica, após a Idade Média, quando começou a ser utilizada para celebrar dias de santos do mês de junho: Santo Antônio (13 de junho), São João (24 de junho) e São Pedro (29 de junho), deste fato vem a denominação de festa Junina, mas antes, eram chamadas de joaninas, devido ao vínculo com a festa de São João, único santo católico festejado no dia do seu nascimento e não de sua morte.

Ao contrário do que muitos pensam, não é uma festa exclusivamente brasileira, as festividades juninas são bastante populares em países europeus como: Finlândia, Noruega, Dinamarca, Suécia, Portugal, Espanha, Grã-Bretanha, Irlanda (Europa); Estados Unidos, Canadá, Porto Rico, Brasil (América) e Austrália (Oceania).

O costume de se comemorar os santos de junho foi trazido para o Brasil pelos portugueses, no período colonial, no século XVI. Na época, já havia recebido elementos da cultura chinesa (fogos de artifícios), espanhola (dança de fitas) e francesa, por meio da dança marcada, uma característica da dança dos nobres franceses, que influenciou fortemente a nossa tradicional quadrilha. Todo este caldo cultural foi se misturando com tradições indígenas, afro-brasileira e outras trazidas por emigrantes dos diversos países do mundo, daí se explica as características próprias das festas em cada região brasileira.


Deus


"Os milhões de áureos lustres coruscantes
Que estão da azul abóbada pendendo,
O sol, e a que ilumina o trono horrendo
Dessa que anima os ávidos amantes;


As vastíssimas ondas arrogantes,
Serras de espuma contra os céus erguendo,
A lêda fonte humilde o chão lambendo,
Lourejando as searas flutuantes;


O vil mosquito, a próvida formiga,
A rama chocalheira, o tronco mudo,
Tudo que há Deus a confessar me obriga;

E para crer num braço autor de tudo,

Que recompensa os bons, que os maus castiga,
Não só da fé, mas da razão me ajudo." Bocage